domingo, 26 de abril de 2009

Ele...

Ele tinha acabado. Era uma sexta a tarde e eu tava na casa da minha mãe, sozinha e sem ter o que fazer, pensando qual seria o motivo pro fim. Ele não quis explicar. Era só isso; acabou e pronto!

Deitei pra assistir a novela, me cobrí de qualquer jeito na cama e fiquei alí sem ânimo de vida esperando o sono chegar até que o telefone toca, não conhecia o nº, pensei não atender, devia ser mais algum amigo chato pra perguntar se eu não tinha me matado ainda.
- Alô?
-Desce to aqui em baixo.
Tremí,sem reação. Levantei e olhei pela janela; era ele.
Nem me arrumei e fui abrir a porta(ele já tinha subido), ele entrou,nada de dois beijinhos nem abraço falso, fomos pro quarto e sentamos um em cada canto da cama.

Ele começou a falar o que tinha feito nas últimas horas e eu já queria que ele fosse embora pra eu poder chorar em paz. Ele disse que ía.
Eu disse: - Tá vai, a porta da aberta. Fecha quando sair.
Me virei, deitei e começei a chorar. Acho que de algum modo ele percebeu porque quando pensei que ele tinha ido embora sentí ele me abraçando... Deitando do meu lado...
- Porque que as coisas tem que ser assim?
- Não sei, não fui eu quem deixei você.
Ele me virou,enxugou minhas lágrimas e me beijou. Tivemos uma das noites que foi eleita uma das mais lindas da nossa história.

Ainda deitados eu aproveitava cada momento como se fosse o último, cada beijo, cada abraço, cada carinho... Ele simplesmente levantou e disse que ía embora. O que eu podia fazer? Calada fiquei, me arrumei e descí pra levar ele até a portaria.

Descemos e parecia que a cada segundo ficava mais frio, mais distante. Eu já havia aceitado definitivamente o fim. Abrí o portão, olhei a rua vazia, quase 23h, ele não se despediu, só se foi.
Aquela hora se minha mãe me visse na rua, mesmo que na porta do prédio ía gritar feito louca pra eu subir, mas ela tinha saído sem previsão de volta e me sentí a vontade pra ficar quieta alí, só observando.
Ele foi andando bem devagar e era de costume eu ficar olhando até ele virar a esquina pro adeus final. Não tinha mais essa obrigação, mas como num ritual fiquei alí esperando, ele parecia ir mais devagar de propósito e enquanto eu observava todos os nossos momentos vinham como filme na minha cabeça, e eu gritava comigo mesma pra aceitar o fim.

Então ele dobrou a esquina, sem adeus final, sem virar e olhar pra dar aquele tchausinho de costume. Chorei. Me virei e já ía fechando a porta quando escuto aquela coisa...

- EU TE AMO!!!
Meldels! Era ele.Eu fui até a rua só pra checar e era ele mesmo. gritando que me amava, parado na esquina, fiquei sem reação. As pessoas da rua abriam as janelas pra ver o que tava acontecendo e eu não conseguía pensar em nada. Era, Foi, tão lindo. Ele voltou correndo na minha direção, e eu já não sabia se subía pra me esconder lá em cima ou se ficava e pedia uma boa explicação pra palhaçada. Mas fiquei alí observando ele voltar correndo no meio da rua chorando e gritando que me amava.

Meu Deus, porque não podia ter sido verdade?

Ele me pegou,me segurou tão forte que parecia que eu ía morrer de tão forte que ele me abraçou, fiquei sem ar, ele me beijava e falava e chorava, tudo ao mesmo tempo, e fiquei agoniada, amassada, me sentindo pressionada. Ele pediu perdão, disse que não sabia onde tava com a cabeça quando disse que não me queria mais, que eu era a mulher da vida dele, que ele... ME AMAVA.

Eu começei a chorar junto, gritei que ele não podia fazer aquilo comigo, que eu merecia uma explicação! Ele chorava tanto e repetia tantas vezes pra eu perdoar, pra eu acreditar no amor dele que não falei mais nada.

Ficamos alí abraçados como num reencontro de anos e juramos nunca mais nos separar.

i try to hide so that no one knows but i guess it shows
when you look into my eyes. what you did and where you comming from
i don´t care!
as long as you love me!